A busca da melhora da sexualidade é tão antiga quanto à história da própria humanidade. Práticas eram usadas na idade média para ter, manter e conseguir a pessoa amada. Pode-se afirmar que os romanos foram os grandes “macumbeiros” da antigüidade. Inúmeros fetiches e magias foram e são usadas no ritual do sexo. Isso mostra a importância do sexo na vida humana e o comportamento do próprio homem na sua vida quando ele verifica que “não consegue dar a segunda e é a segunda vez que não consegue dar à primeira”. Portanto, não é de admirar que os seres humanos, há longo tempo, venham buscando formas fáceis e até mágicas de modificar e geralmente elevar a libido. Muitas substâncias foram anunciadas como tendo propriedades afrodisíacas com capacidade de realçar o impulso sexual.
Os Afrodisíacos têm como principal característica a problemática de sua variância, pois o mesmo “agente”, instigante para uns, pode ser um elemento de bloqueio para outros, daí torna-se anti-afrodisíaco, inibindo o desejo sexual. Existe uma grande diferença entre os Alucinógenos e os Afrodisíacos. É que os primeiros permitem ou auxiliam estados alterados do tipo místico ou mágico, enquanto os últimos facilitam ou induzem estados alterados do tipo eostático, ou seja, para a busca da expansão da mente pelo caminho Tântrico, isto é, do êxtase sexual. A finalidade dos afrodisíacos é incitar ao amor carnal.
É necessário que todos compreendam que o elemento liberador da sexualidade está, não no Afrodisíaco, mas dentro da própria mente, não podendo criar nada que já não exista. Portanto, é importante ter sempre em mente que o poder de dar vida sexual plena e satisfatória está em cada um. Os Afrodisíacos são somente um “gatilho” para detonar esse processo, entre os muitos que existem. O importante é fugir dos modismos que são fugazes, transitórios, com finalidades apenas comerciais.
A libido pode ser comparada com o tempo, que como o clima, o impulso sexual humano é propenso a mudanças conforme a estação, neste caso originadas pelos diversos períodos da vida, ao invés dos ciclos anuais. Embora os meteorologistas entendam muito sobre os processos físicos que influenciam a formação do tempo, o número de variáveis é tão grande que, mesmo os mais sofisticados computadores não podem prever com segurança como o tempo será amanhã. É igualmente difícil predizer os níveis de excitação sexual nos indivíduos, não apenas pelos altos números de variáveis envolvidas, mas também porque sabemos pouco sobre os processos básicos que afetam a libido.
Existem vários motivos para esta ignorância. Muitos dos fatores que afetam nosso impulso sexual estão fora do nosso controle, pois a marca da sexualidade humana é o papel central desempenhado pelo parceiro e não apenas as características exibidas por aquela pessoa, mas seu comportamento do dia a dia. Outra razão é que algumas das variáveis que afetam nosso impulso sexual, incluindo os processos corporais internos, estão além da nossa percepção consciente.
De fato, não existe qualquer substância que aumente o desejo sexual em todas as pessoas. Entretanto, existe crescente evidência de que algumas pessoas com redução da libido podem ser auxiliadas pela terapia medicamentosa, sendo os medicamentos em questão a classe de hormônios esteróides conhecidos como androgênios.
Existe uma regra simples na previsão do tempo, se o céu está nublado, talvez chova e talvez não, dependendo das outras condições. Mas se não há nuvens no céu, é muito improvável que chova. Da mesma forma uma pessoa, cujos níveis circulantes de androgênio são normais, pode atingir a excitação sexual ou não, dependendo das circunstâncias que a cercam. Mas uma pessoa, sofredora de níveis circulantes de androgênio gravemente reduzidos, tem muito menos probabilidade de experimentar excitação sexual, não importando quão favoráveis estejam às circunstâncias.
Desde sempre, a humanidade tem recorrido às substâncias, truques, magias e jogos, que as pessoas tidas como sérias e virtuosas se apressam a classificar como perversões, para estimular o desejo amoroso e a fertilidade. No entanto, para os simples mortais, a sexualidade é um componente da boa saúde, inspira a criação e faz parte do caminho da alma; não está associada a culpas ou segredos, porque o amor sagrado e o profano provêm da mesma fonte e supõe-se que os deuses celebram o prazer humano.
Descobrimos que há menos informações que o esperado e o atribuímos ao fato de que neste início de milênio as pessoas não gemem mais em batalhas de amor, preferem fazê-lo nas academias. Mas essa é uma conclusão precipitada, pois a verdade é que continua existindo o mesmo interesse pelos afrodisíacos.
Vivemos obcecados por um insaciável apetite de sensações cada vez mais forte, porque na pressa de devorar tudo, dissociamos o corpo da alma. Já não basta uma carícia sutil, o prazer de pele contra pele ou compartilhar um pêssego, exigimos exaltação cósmica que nada, nem as drogas, nem a violência do cinema, nem a pornografia mais brutal podem nos dar. Na busca de alívio para o tédio elevamos a crueldade muitas vezes à categoria de arte ou de piada.

É necessário anunciar de peito aberto, que o único afrodisíaco verdadeiramente infalível é o amor. Nada consegue deter a paixão acesa de duas pessoas apaixonadas. Neste caso, não importam os achaques da existência, o furor dos anos, o envelhecimento físico ou a mesquinhez de oportunidades; os amantes dão um jeito de se amarem porque, por definição, esse é seu destino.
Zenilce Vieira Bruno
Psicóloga Clínica e Terapeuta Sexual