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RACHEL
Aqui você diz! Ter 08/Jan/2008

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  Aguardamos por você!

COLUNISTA  CAMILA PAGLIUCA
DÁ A DICA

PSYCHO JAZZ / CAFÉ PAGLIUCA Júnior Boca

 O guitarrista, compositor e produtor cearense radicado em São Paulo Junior Boca apresenta seu jazz nada convencional nessa quinta-feira (10/01) no Café Pagliuca.

Batizada de "Psycho Jazz", a nova proposta do músico é conduzida por arranjos que procuram explorar o jazz de uma forma mais livre e psicodélica. O show já foi apresentado no SESC Brasil Instrumental (SP), Studio SP (SP), Milo Garage (SP), Teatro X (SP) e em Fortaleza no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fafi Bar e no Projeto Retratos do Vento.

No show o guitarrista apresenta músicas de seus discos "ID" e seu segundo, ainda em fase de mixagem "The Umbrellas War". A banda é formada por Junior Boca (guitarra), Rian Batista (baixo), Dustan Gallas (teclado) e Pantico Rocha (bateria).

Além do Psycho Jazz, o músico trabalha Café Pagliucaatualmente com nomes importantes da nova cena musical brasileira, como Otto, Instituto, Xis, M. Takara, Trio Esmeril, Thalma de Freitas e Nina Becker.

Junior Boca & Psycho Jazz
Junior Boca – guitarra
Rian Batista – baixo
Dustan Gallas – teclado
Pantico Rocha – bateria
Participação: Nina Becker, RJ, Orquesta Imperial


Dia: 10 de janeiro, as 21hs
Ingressos: R$ 5,50
Café Pagliuca
R. Barbosa de Freitas, 1035
Reservas: 3224-1903 3224-9870 Socorro ou Roberta 

COLUNISTA  BRANCA SOBREIRA
Duas mulheres únicas. Duas mulheres distintas.

No começo ele a amava mais que tudo e ela nem tanto assim. Para ele era meio que uma paixão platônica via e revia suas fotos, sonhando em um dia perto dela chegar. Em como falaria com ela, ele passava dias a pensar. Na noite se esbarravam, conversavam, trocavam tímidos olhares, os seus olhos verdes o hipnotizavam. O beijo aconteceu, o amor floresceu nele mais ainda, nela quase nada. Os dias passam, e ele cativa o coração da moça com palavras, promessas, beijos longos e abraços apertados. Os dias passam, passa um ano, passam dois. As coisas já não são mais as mesmas, mas quem diria as coisas não eram mais as mesmas para ele, para ela o amor ainda fulminava e ela se perguntava se uma vida inteira ao seu lado seria suficiente. Logo ele um sentimental, um ultimo romântico. Logo ele que achava que este seria seu último romance, enganou-se. Os beijos tornaram-se curtos, os abraços sem afeto, sem açúcar. Ela o notava distante, mas temia falar, temia colocar em palavras o sentimento que a perturbava, pois se colocasse em palavras o tornaria real, então foi deixando para lá e se contentava com metade dele e não com ele todo, preferia isso a não tê-lo de forma alguma. Quanto clichê, mas é impossível fugir desse numa situação assim. Os sentimentos se reverteram o que era dele agora é dela, o amor. Ela o fizera esquecer uma grande dor, a perda de um outro amor, ela o completava e agora não mais. Agora ele queria seguir solitário numa estrada sem volta . Para eles não existiu final feliz, então prefiro deixar meu conto assim, sem fim.

COLUNISTA  CARLITO LIMA
A dama de preto  
Maceió - AL

Gutemberg havia terminado o curso do CPOR do Recife . Estava servindo na 2ª Companhia de Guardas quando rebentou o movimento militar de 1964. Tinha maior orgulho em ser tenente do Exército. Politicamente com idéias próprias, percebia que as informações recebidas dos superiores no quartel eram exageradas. Mesmo assim, apoiou e participou do golpe militar. Foto de ABrito

Cumpriu determinações, teve contato direto com os presos políticos, e alguns aborrecimentos por não ser linha-dura como exigiam alguns patrulhadores, colegas de farda. Gutemberg, ser humano generoso, tentou aliviar os dissabores da cadeia dos presos políticos.

Era um oficial educado, bem criado, sempre gostou de ler, de participar de atividades culturais e sociais. Nesse período pós golpe, a partir de abril de 1964, ele era convidado para grandes festas no Recife, conhecia algumas figuras da mais alta burguesia pernambucana, e por ser alegre, bem falante, bom contador de histórias, e principalmente por ser tenente do Exército Brasileiro, fator de muito peso entre os bajuladores, Gutemberg era convidado constantemente para muitas festas grã-finas. Seja no consulado dos Estados Unidos ou nas belas mansões. Certa vez ele foi a uma festa num apartamento deslumbrante em Boa Viagem acompanhado de um Major. Festa encantadora, rolando o bom uísque, boas conversas, brincadeiras divertidas e até declamação de poesia. Certa hora o Major insinuou que Tenente era bom de poesia. Os anfitriões pediram, exigiram, Gutemberg advertiu que sabia apenas poemas eróticos, e danou-se a recitar "Delírio" de Olavo Bilac: "Nua, mas para o amor não cabe o pejo. Na minha a sua boca comprimia. E, em frêmitos carnais, ela pedia: - Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Foto de Amanda ComNa inconsciência bruta do meu desejo, fremente, a minha boca obedecia. E os seus seios, tão rígidos mordia, fazendo-a arrepiar em doce arpejo. Em suspiros de gozos infinitos, disse-me ela, ainda quase em grito: - Mais abaixo meu bem! - num frenesi. No seu ventre pousei a minha boca. - Mais abaixo meu bem! - disse ela louca. Moralistas, perdoai! Obedeci ..." Assim que terminou de recitar a bela e erótica poesia de Olavo Bilac, uma bonita mulher de preto, tendo no máximo 25 anos, vistosa, elegante, bem tratada, linda, dedos cheios de anéis de brilhantes, sentou-se a seu lado e cochichou no ouvido: "Adorei a poesia".

 A madame tinha uma pele morena aveludada, cabelo preto como uma noite escura. Passaram o resto da festa conversando e por que não dizer, paquerando. O marido cinqüentão foi se chegando até participar da roda onde estavam a Dama de Preto e o Tenente. Gutemberg ficou triste ao perceber que a Deusa era casada. Apesar de não usar aliança, aliás, nem sabia se usava, os anéis ofuscavam qualquer outra jóia em seus dedos finos, lisos, bem tratados.

Marcaram encontro no outro dia. O marido viajou para Brasília, ele era um dos líderes da campanha, "Dê ouro para o bem do Brasil". Muita gente boa doou jóias de família para salvar o Brasil, a grana evaporou-se. Ao anoitecer Gutemberg esperava em frente ao Bar Veleiro, a Dama de Preto encostou seu aero-wyllis negro, foram para o apartamento do Tenente. Noitada de louco amor. Às 22 horas a bela saiu, depois de ter satisfeito seus desejos. Tudo que queria, era apenas que o belo tenente, tal e qual no poema, obedecesse! Seu retrógrado marido só admitia fazer amor no tradicional "papai e mamãe".

Foto de Amanda ComGutemberg ainda teve muitos encontros com a madame quando o marido viajava. Na cama, ela pedia num frenesi, ele obedecia, como na poesia. O romance estava se tornando público. Certa noite, numa festa, o Tenente encontrou-se com o casal, ela sempre de preto. O marido, conhecido corrupto e mafioso, em conversa particular com o Tenente, pediu com humildade para Gutemberg se afastar de sua bela mulher. Não tomava outra atitude porque tinha apreço ao Exército, ou seja, não mandava dar uma surra, como fez com o último amante da mulher, porque tinha medo dos militares. Assim acabou o romance proibido.

Anos depois, uma noitada no Bar Antônio Maria, Recife velho, Gutemberg encontrou uma bela coroa vestida de negro acompanhada de um jovem, achou-a familiar. Pelo sorriso e olhar, ele teve certeza, era a bela e inesquecível Dama de Preto, que um dia foi sua, graças à poesia.

COLUNISTA  LECY DE SOUSA
O papel de cada um

Lido bem de perto com o objeto livro. O meu papel é o de promover leituras em seus mais diversos estágios. Num dia desses, uma aluna do Ensino Médio entrou na biblioteca onde atuo (nota-se o aspecto teatral do protagonista). Ela procurava por um livro aleatório para fazer um trabalho solicitado pela professora de Português. Pensei em recomendar-lhe "Romeu e Julieta" de William Shakespeare numa edição primorosa e ricamente ilustrada. O livro fora emprestado a outro aluno. Restaram, da mesma edição, "Otelo - o mouro de Veneza" e "Rei Lear". Ela optou pelo primeiro.

Passados dois dias, a aluna voltou, alegre, dizendo que "Otelo" era bom demais. A garota não devia ter mais que uns quinze anos, além de residir numa região profundamente discriminada pelos próprios moradores e pelas adjacências mal informadas sobre a verdadeira riqueza de uma comunidade que são as pessoas que alí habitam.

Daí, comecei a me fazer perguntas desordenadas. Será que William Shakespeare imaginou que alguma história de sua autoria seria lida numa periferia da América do Sul no Século XXI? Será que ele escrevia pensando em leitores para além dos muros palacianos britânicos? Será que o dramaturgo era quedado a academicismos e escolas literárias?Na mesma biblioteca em que figura Shakespeare figuram também Ziraldo, o pai do Menino Maluquinho e Monteiro Lobato, o pai do Jeca Tatu, da boneca Emília e de todo um sítio. Engana-se quem pensa que os maiores leitores dessa biblioteca são adolescentes e adultos. As crianças são as que mais desejam ler, pois elas sabem que a leitura é um patrimônio novo para suas mentes, enquanto os adultos acham que já sabem de tudo e ler é uma perda de tempo.

Acredito que toda literatura possua uma jornada própria capaz de surpreender nossas filosofias. Ela é maleavel feito água e cristalizada feito diamante. Este texto que você possivelmente está lendo agora levou exatos dois meses para ser concluído. Há escribas que em dois meses escreveria toda série "Harry Potter" e ainda palitaria os dentes. A composição, seja ela de maior ou menor complexidade, é algo relativa dentro do tempo.

A propósito, o livro "Os miseráveis" ( adaptado) de Victor Hugo também figura na biblioteca onde exerço meu papel.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   DEVANEIOS BRANCA SOBREIRA
Duas mulheres únicas. Duas mulheres distintas.

Duas mulheres diferentes e ao mesmo tempo duas mulheres semelhantes. Semelhantes até por suas grandes diferenças.
        Uma queria contrariar a outra, não cometer os mesmo erros que esta e por fim tentar fugir do inevitável, o inevitável era que tinham o mesmo sangue, as mesmas origens, é inegável o fato de que uma pertencia à outra em tantos sentidos diferentes. Sentidos. São tantos os sentidos. São tantas as fases da vida. Quantas emoções uma mulher pode sentir em sua vida inteira? Alegria, felicidade, paixão, amor, desilusão, tristeza, angustia, sofrimento, infelicidade, felicidade novamente.

Esse ciclo de sentimentos, essa montanha-russa de emoções pode fazer parte de apenas um dia na vida de uma mulher. E as duas mulheres sentiam-se muitas vezes assim, como se estivessem viajando eternamente nessa grande montanha-russa de emoções felizes e trágicas, memoráveis aventuras. Uma sentia-se sozinha abandonada, fracassada amorosamente. A outra se sentia assim também, mas negava sempre, nunca deixava muito clara as suas verdadeiras emoções em relação ao amor para os outros, só para ela mesma.

Muitas vezes trocavam seus papéis.

Muitas vezes uma consolava a outra com dureza e firmeza, teria que mostrar o quanto era forte para que essa outra também ficasse forte, mesmo sem se sentir assim. Quem deveria servir de exemplo para a outra às vezes não cumpria o papel. Ninguém é perfeito. As duas mulheres eram imperfeitas. Imperfeições. Cheias de imperfeições. Tinham imperfeições por todos os lados. Em cada esquina existia uma lhes apontando o dedo e rindo de suas caras amargas.

As duas mulheres encontravam-se todos os dias, cada uma com sua rotina, mas sempre em algum momento do dia se viam e conversavam, mas nem sempre conversavam, muitas vezes apenas se viam e não tinham sobre o que conversar, mas uma sempre presente na vida da outra. Mesmo distantes, mesmo em cidades diferentes, mesmo a beira do precipício sempre estavam juntas, quase um casamento, um vinculo inexplicável, secreto, estranho, às vezes sentiam ódio. Ódio de quem lhes fazia sofrer, ódio por não terem poder para mudar seus destinos. Ódio. Amor. Amor. Amor. Amores. Já amaram, já foram amadas e sentem amor uma pela outra.

DANDO A DICA LECY SOUSA
 Belo Horizonte 

 Percebe-se um intenso movimento no meio poético das regiões do Brasil. Pode ser que esse movimento sempre tenha acontecido, mas só com a Internet as ações tornam-se mais evidentes. O que nos reserva os próximos capítulos? Estaremos caminhando para um "Rilke Shake" ou para um Sunday com marte melou? Enfim, a poesia segue ainda que a contragosto ou  a bom gosto  de puristas ou impuros.

A conferir, a homenagem ao poeta Wilmar Silva, curador do " Terças Poéticas" que acontece nos jardins do Palácio das Artes de Belo Horizonte . Ah, o evento aqui divulgado acontecerá no Centro Cultural de BH . Por Lecy com agradecimentos a Leonardo de Magalhães. 

Joaquim Palmeira estréia com "Estilhaços no Lago de Púrpura"
Wilmar Silva apresenta "lona"
Ong OPA! debate a poesia de ambos, poeta e performer

Joaquim Palmeira prepara a sua estréia com o lançamento do poemalivro "Estilhaços no Lago de Púrpura", elogiado por Ronald Polito e Wagner Moreira, além de cartas endereçadas ao poeta que habita os ermos do Cachaprego, na região da Pampulha, na grande Belo Horizonte .

Fabrício Carpinejar e Reynaldo Bessa, para ficar em dois exemplos vivos, afirmam que é um crime não conhecer ainda a sua obra poética. Artur Rimbaud mandou um telegrama de Charleville, escrito de próprio punho, falando que virá ao Brasil especialmente para conhecer o autor do estranho não-texto de biopoesia "Anu", além dos secretos "Falavra" e "Rudárido". Outro que anunciou a presença é Rainer Maria Rilke, mascarado de Duíno, o que poderá confundir os vivos dos mortos, e os mortos dos imaginados. Talvez venha o índio Rudá. Jorge Dissonância e Anand Rao. E gente do MST promete aparecer com as suas bandeiras.

O lavrador alado Antônio Sezostre, pai de Palmeira, virá em seu burro e promete subir a escadaria montado no animal voador. Também Gary Snyder informou que é preciso saber que é esse cara que abandonou a língua e a origem para fundar uma outra língua de origem, capaz de provocar espanto diante da beleza que se produz a partir de um léxico experimental de fonemas. Além, é claro, de Djami Sezostre e Cauan Ribeiro que manifestaram interesse em sair pela primeira vez de São Francisco das Chagas do Campo Grande, especialmente para a noite de 27 de setembro de 2007, na igreja do Centro de Cultura Belo Horizonte, situada à Rua da Bahia, 1149, centro nervoso de Belo Horizonte, onde se apresentaram os melhores artistas e dublês de poetas do Brasil, como o próprio Wilmar Silva, quando lançou há um ano atrás o livro "Estilhaços no Lago de Púrpura", por coincidência, de mesmo nome, com a presença de trinta poetas e artistas do Brasil, lendo em uníssonos os poemas.  

Joaquim Palmeira fará uma floresta de acontecimentos de criação, que contém "Estilhaços no Lago de Púrpura", com a imagem na primeira capa de uma pessoa caindo no abismo ou apenas voando feito um pássaro ao infinito. É depois de uma pré-estréia no Festival de Inverno de Ouro Preto, finalmente estréia o poemaperformance "lona", uma experiência inédita de ocupação do próprio corpo como espaço de uma poética ao mesmo tempo plástica e sonora, com direção do também poeta Milton César Pontes.

E o Banquete de Idéias "AgroLíricas", quando a Ong OPA! e "Outros Nós: (Poetas da terceira e última Margem" colocarão em arena as poéticas de Wilmar Silva e de Joaquim Palmeira.

PoemaLivro
"Estilhaços no Lago de Púrpura", estréia de Joaquim Palmeira
Preço: R$19,00
PoemaPerformance
"lona", com Wilmar Silva, direção de Milton César Pontes
Banquete de Idéias
"AgroLíricas", Ong OPA! e "Outros Nós: (Poetas da terceira e última margem"

 Aqui
Centro de Cultura Belo Horizonte
19:00, 27 de setembro de 2007
Rua da Bahia, 1149.   

 

COLUNISTA CARLITO LIMA

  Avenida da Paz

  Beth, Sofia e Gina eram três moças bonitas, seus pais colocaram esses nomes em homenagem às artistas de cinema: Elizabeth Taylor, Sofia Loren e Gina Lolobrígida. As meninas não perdiam em beleza para as três celebridades da época. Moravam em Jaraguá perto da Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo, quando desciam para a praia da Avenida da Paz, nós, jovens maloqueiros, interrompíamos o futebol, até a bola parava para apreciar a chegada daquelas magníficas jovens, fonte de inspiração dos tarados, que dentro d'água se possuíam na intenção das gostosas musas inspiradoras.

Acontece que elas tinham um irmão, mais velho, alto, forte, sua musculatura mantida por duros exercícios contrastava com o cérebro, do tamanho de seu juízo, ou seja do tamanho de um feijão. Tucão era conhecido por sua valentia, aliás, por suas brigas. Era o maior arruaceiro do bairro e da zona das putas em Jaraguá. Certa vez brigou com quatro policiais, foi preso, espancado. Passou a detestar qualquer tipo de polícia. Ele tinha um sentimento nobre, o afeto pelas irmãs. De um ciúme doentio, partia para briga quando chamavam de cunhado ou qualquer comentário que suas irmãs eram "boas".

Meu primo Cuca encantou-se com a mais nova, terminou namorando com Gina. Namoro decente como era naquela época, mão na mão, em vez em quando um beijinho. Sempre com a fiscalização ostensiva de Tucão. Certa noite, depois do namoro comportado, ao passar no Beco Vitória, uma menina, conhecida como "sabãozeira", que fazia "sabão", isto é, que fazia e gostava da sacanagem, deu maior bola para o Cuca, que prontamente entrosou-se com a menina, colocou-a no jipe, terminou numa seção de safadeza estacionado no Posto de Salvamento da praia do Sobral.

Cuca estava feliz, todo dia namorava com sua amada Gina, depois ia comer Julieta no jipe ao carinho da brisa do mar. Certa noite Beth, a cunhada, viu Cuca apanhar Julieta para mais uma seção de exercícios libidinosos no jipe. No outro dia quando chegou na casa de Gina, ela estava uma fera, namoro acabado, não admitia ser trocada por uma vagabunda. Foi quando Tucão apareceu arregaçando as mangas da camisa, com cara trancada, falando alto que irmã dele não levava chifre. Cuca na hora tomou um susto, brigar com Tucão, era apanhar na hora, levaria uma surra histórica. Com presença de espírito, ele convidou Tucão para tomar uma bebida e conversar, tentação irresistível para o arruaceiro. Foram para um bar por perto, desceram cerveja, pinga e tira-gosto. Cuca explicou que Julieta era só para sacanagem, ele gostava mesmo de Gina, namoro para casamento e coisa e tal, no campo da astúcia Cuca ganhava tranqüilo do mastodonte.

Foi uma noitada de muita bebida, passaram por sete bares diferentes. Tucão onde chegava provocava alguém, a sorte é que os provocados tiravam o corpo fora.
Bem tarde da noite, Tucão na maior amizade com Cuca, chamando de cunhado, inventou de ir à zona das quengas. Cuca esperando que a noitada terminasse, acabou concordando, partiram para Jaraguá. Ao passar no final da Avenida da Paz, Tucão pediu para parar o jipe, saltou, dirigiu-se a dois policiais, uma dupla de Cosme e Damião que fazia ronda. De repente Cuca viu Tucão dar um murro em cada soldado, deixando-os no chão, deu ponta pé, recolheu dois capacetes e correu para o jipe. Cuca assustado deu partida e por insistência parou na Boate São Jorge. Sentados em uma mesa Tucão colocou o capacete em sua cabeça e colocou o outro na cabeça de Cuca. Pediram cachaça e duas raparigas. Depois da primeira dose Cuca conseguiu tirar o capacete, colocou-o embaixo na mesa, estava apreensivo com aquela maluquice do "cunhado".

Certa hora Cuca foi ao sanitário. Ao retornar percebeu a confusão, oito policiais xingando Tucão, todos falando alto. Saiu do banheiro de fininho, sem ser percebido, desceu a escada íngreme de um salto. Teve sorte, não havia policial no jipe, conseguiu chegar em sua casa na Avenida da Paz.

No outro dia, soube do acontecido, Tucão brigou com os oitos policiais, levou muita porrada, amarraram o arruaceiro, levaram preso para 2ª Delegacia, onde deram uma surra inesquecível.

Cuca é quem esqueceu da bela Gina, passou muito tempo sem passar perto da Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo e do Beco Vitória. Evitou pelo resto da vida encontrar-se com Tucão, o maior arruaceiro da paróquia de Jaraguá.


NA TRIBUNA ADRIANO DGD
Fortaleza CE

Post

Sendo a única coisa verdadeiramente adulta atualmente em exibição nos cinemas locais, O ULTIMATO BOURNE, 3º (e sensacional!) filme da série, uma ida nas locadoras comprovou o pior: É cada vez mais difícil achar algo bom para ver em casa. Passei quase uma hora para alugar 3 filmes, os quais, recomendo: PODER ALÉM DA VIDA, O AMOR É PARA SEMPRE, O ATIRADOR.

 



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