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VAP por
RACHEL
MINO Seg 14/Jun/2010

Poucos são os escolhidos com o privilegio de nascer com um talento; imaginem quando se tem mais de um talento!

O Mino é uma destas pessoas.

Além de um grande e reconhecido artista e poeta, ele traz um humor único, divertido, inteligente, consciente e criativo.


Nós já o entrevistamos na coluna VAP, mas não queremos ficar de fora da comemoração da 100a Edição da RIVISTA

Dono de tantos talentos, feitos e realizações, como você se descreve?
Eu me descrevo muito bem em “Rápidos traços biográficos de um cartunista de traços rápidos”.

 

Qual a característica mais marcante do seu humor?
Humor sutil, fino (que rima com MINO). Procuro mostrar situações engraçadas de forma inteligente e coisas inteligentes de maneira engraçada.

 

Como surgiu a RIVISTA?
RIVISTA surgiu após 149 publicações e durante oito anos fomos delineando o seu perfil chegando ao seu feitio de hoje que atinge a edição 100. Mas falta muito para ela ir de encontro ao seu modelo ideal que lhe permitirá sair de uma distribuição direcionada e restrita, ganhando um grande público. Esse é o próximo passo.

É sabido que o cenário político brasileiro é terreno fértil para o humor; e muitos utilizam disso; por que não observamos isso no seu humor?
Os políticos realmente tornaram-se modelos para os chargistas e os comediantes da TV. Assim como algumas mulheres que pousaram nuas para os pintores, eles se desnudam tanto em suas atuações na luta pelo poder, que a paródia fica fácil. Isso já vem de muito tempo. Na época do golpe militar que gerou o regime de exceção, denominado preferencialmente pelas esquerdas como DITADURA, os humoristas passaram por maus momentos, mas havia um peso maior e mais consequente nas charges e nas comédias. Após a abertura quando despontou o bigode do Sarney em nosso lábaro estrelado, tudo mudou. As velhas raposas sairam de suas tocas e começaram a colher as uvas das nossas vinhas, como fazem até hoje, alegres, serelepes e impunes.

Os chargistas, embora demolidores, não encontram mais portões para arrombar  com seus aríetes inclusive porque os portões estão escancarados e o mal feito é realizado às claras.

 

Então escrevi o seguinte:
Nós, cartunistas e chargistas, que somos simples artistas, estamos cada vez mais sérios em nossos pontos de vista.Mas, eles, políticos, tenho observado, estão ficando cada vez mais engraçados.

 

Então, abandonei a charge, parti para o cartum, onde faço a crítica social, tendo eu mesmo como o primeiro modelo e objeto da crítica, pois a meu ver o nosso auto-conhecimento, que significa ter consciência de seus altos e baixos, é que podem mudar alguma coisa, pelo menos a mim mesmo.

 

Como Gandhi disse:
Você deve ser a mudança que deseja ver no mundo.”

 

Como cartunista, passei a entender o pensamento de um grande escritor e poeta norte americano, que afirma ser obrigação de todo cidadão lutar contra o ESTADO.

Veja bem: ESTADO, e não Governo.

Nosso país vive um regime democrático, sem dúvida, mas o sistema é ditadura pura.

A tributação é alta e atinge as classes produtoras.
O serviço público, precário, com suas filas e a arrogância de muitos funcionários, atinge o pobre.
O Governo é a princesa refém do Dragão. O povo é o príncipe que poderá salvá-la. Como cartunista,  já estou cutucando o dragão. Mas o rabo é grande e a vara é curta.

Finalizando sobre o SISTEMA, devo lembrar que ele não se restringe apenas à máquina recolhedora a prestadora de serviço.

O sistema também é o político, substancialmente partidário e que não nos deixa com muitas escolhas, apenas com o direito de escolher, direito que não pertence a ele mas ao regime.

Por isso, escolhemos mal nossa representação, porque uma eleição tem um preço, um custo, o voto continua sendo comprado, negociado. Ora reina o real, ora quem comanda é o escambo. E a nossa cidadania vai para o brejo, pois antes éramos pró-isso ou anti-aquilo. Hoje somos apenas defensores da natureza.

Mas a política, o regime, o sistema, as criações humanas também fazem parte da natureza.

É fácil ver o vazamento de óleo porque ele escurece o mar. Mas nossas mentes estão escurecidas também.

Deixo isso para MINO, o pensativo. O cartunista fica por aqui.

De onde vem tanta inspiração?
O coração, a mente, alma e espírito, de onde vêm?  A inspiração vem por esse caminho também. Na minha opinião, vem do alto. Chegando em nós se apresenta para o livre arbítrio. Posso fazer um filme de violência ou de amor. De horror ou beleza. Após a escolha partimos para o trabalho, ou seja, da inspiração para a transpiração.

Somos co-participantes da creação, creação com E, como afirma ROHDEN, para diferenciar a nossa, que é criação com I.

A música, o desenho, as cores dos quadros, as idéias luminosas, não são minhas. Elas passam por mim. Dar forma a todas elas, esculpir, burilar, traçar, esboçar, arte-finalizar é minha tarefa.

Até a vida não passa por nós? Não somos vivos. Estamos vivos. Mais certo ainda a dizer, fazemos parte da vida, a recebemos de Deus, único AUTOR, que com o seu ESPÍRITO SANTO renova constantemente a face da terra, incluindo a mente dos homens. Participar da construção do mundo, com a nossa arte e a nossa boa vontade, nos torna os servos que devem procurar o caminho da  perfeição. A formiga faz isso carregando folhas para o armazenamento. A cigarra faz isso cantando. Mas só  temos a consciência de que somos servos trabalhadores nessa imensidão cósmica, quando percebemos que estamos  sob o poder da ONIPRESENÇA, fonte emanadora de todos os sopros da INSPIRAÇÃO.

 

É uma profissão onde muito poucos conseguem alcançar tamanho sucesso; que palavras diria para aqueles que estão começando?
Quem faz o que gosta, não desiste. E todo começo, mesmo com seus tropeços, é uma face encantadora.

O que é uma pessoa autêntica para você?
Autêntica é uma pessoa que procura viver a verdade.



Comentários
Parabens pela a escolha do entrevistado.
Parabens pela entrevista.

lia | 05/07/2010 - 13:57h


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