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Crise Financeira e efeitos no AGRONEGÓCIO
João Rafael Furtado é sócio do escritório Furtado, Pragmácio Filho & Advogados Associados, Professor do Curso de Direito da Faculdade Farias Brito e do Curso de Administração e Marketing da Fundação Getúlio Vargas / FFB, em Fortaleza-CE.

Quase que diariamente leio um jornal ou ligo a televisão para ver uma declaração do Presidente Lula utilizando uma dessas três afirmações: o Brasil não será afetado pela crise; não é justo que os países pobres, que nada contribuíram para a crise, sejam por ela afetados; a economia brasileira está sólida e nada irá sofrer...

Penso que está na hora de deixarmos de lado o discurso populista, que muito lembra os tempos de sindicalista do nosso presidente, e aceitarmos o fato de que a crise chegou e que poderá ficar por algum tempo...

Como se fosse um resfriado, cujo agente virótico atinge os organismos fragilizados com mais intensidade, a crise atingiu o Brasil, mas só que não com tanta força, dado as bases mais sólidas e independentes que conquistamos nas últimas décadas.

Na verdade, o governo brasileiro já reconheceu a crise. Tal afirmação advém das inúmeras ações do Banco Central brasileiro visando trazer liquidez na economia, garantir empréstimos e estabilizar a cotação da moeda norte-americana.
Já faz alguns anos que especialistas do setor financeiro já alertavam para a bolha que a economia americana estava se transformando e, por conseguinte, a internacional.  Com a crise do subprime eclodindo, rapidamente outros setores da economia também foram afetados, inclusive o agronegócio.

Com efeito, sendo o agronegócio fatia importante da economia brasileira (cerca de 1/3), tendo suas exportações papel decisivo nessa conta, é de fundamental importância a reflexão sobre os efeitos da crise financeira mundial no agronegócio.
Pode-se afirmar que antes mesmo da quebradeira de algumas instituições financeiras ao redor do mundo, a crise financeira mundial já tinha feito sua primeira vítima: o crédito.

Ocorre que com a diminuição do crédito, para as empresas exportadoras, seus custos aumentam consideravelmente, tendendo a economia a diminuir seu ritmo, podendo as empresas serem obrigadas a fechar e desempregar milhares de pessoas.
Para alguns, a crise favorece ao agronegócio... Sustentam que como a maioria dos contratos do agronegócio tem como indexadores a moeda norte-americana, com a sua valorização, gozam também de elevados lucros.

Contudo, penso que esse raciocínio é por demais precipitado...
A exportação de toda e qualquer produto segue um princípio fundamental: demanda. Ora, com a crise financeira mundial, parece óbvio que a tendência é que o mundo freie sua demanda por produtos, reduzindo, consequentemente, o preço das commodities agrícolas nas bolsas internacionais.

Observo, porém, uma grande oportunidade no meio dessa crise...
Podemos visualizar dois macros efeitos decorrentes da crise financeira mundial no agronegócio:
1) retração de crédito no curto prazo para as exportações e para o mercado interno, com a consequente escassez de liquidez; 2) diminuição mundial na demanda dos produtos do agronegócio, com a consequente queda dos preços das commodities agrícolas.

A oportunidade reside naqueles que conseguiram gerar liquidez e capacidade de autofinanciamento, permitindo produção a um custo menor frente aos concorrentes que para operalizar seus negócios necessitam de crédito de terceiros.
A sustentabilidade aliada à estratégia de gestão definida e organizada poderão moldar os rumos da economia do agronegócio dos próximos anos, definindo o papel dos grandes atores num mercado cada vez mais global.

 




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