Gêneros para informar, entreter e ensinar: jornais
revistas, correspondência.
O livro impresso não é o único meio de apresentar a escrita ao leitor em formação. No artigo passado, falamos sobre gêneros alternativos para desenvolver o letramento inicial da criança (escritos do meio urbano, listas, poemas, rimas e canções). Hoje vamos tratar de outros gêneros textuais que podem motivar o leitor em formação, diversificando a leitura de crianças e jovens (Rasinsky e Padak, 2008).
Jornal – Seu potencial lingüístico e cultural é imenso, seja em papel ou em formato eletrônico. É o meio de leitura de maior penetração, podendo chegar diariamente aos locais mais remotos. Autores de livros didáticos, profissionais da linguagem/comunicação e pedagogos vêm mostrando como usar o gênero jornalístico em sala de aula. Pesquisadores em aquisição da escrita e educadores que trabalham com crianças em fase de alfabetização enfatizam o potencial informativo do jornal e a diversidade de gêneros que abriga, além de apresentar palavras em tamanhos e tipos variados. Ao longo dos diferentes “cadernos”, ou seções do jornal, abre-se ao pequeno leitor um mundo de novidades gráficas, visuais e informativas.
No jornal, pais (ou professores) encontram rico material de leitura, de fácil acesso e baixo custo, para explorar com seus filhos (ou alunos): títulos e manchetes; notícias locais, nacionais e internacionais; tirinhas, quadrinho e charges; entrevistas, biografias, resumos de filmes e novelas; programação de TV, cinema, teatro; anúncios classificados; notas; obituários, publicidade; palavras-cruzadas, jogos, comentários esportivos, editoriais, crônicas, crítica literária etc. Todos esses gêneros jornalísticos podem ser adaptados aos interesses dos leitores iniciantes, introduzindo-os ao mundo da leitura e contribuindo para formar sua competência textual. Assim, por exemplo, as imagens e quadrinhos podem introduzir textos gráficos; a leitura crítica pode ser desenvolvida a partir do comentário de notícias e editoriais.
Revistas – Ao lado dos jornais, as revistas atendem a públicos diferentes – crianças, pais, professores, técnicos, tornando-se cada dia mais especializadas em seus assuntos: “revistinhas” infantis (quadrinhos); super-heróis; ecologia e meio-ambiente; ciência; arte e literatura; decoração e jardinagem: viagens; vida social; bastidores da TV; política; esportes; jogos; informática; autoconhecimento e autoajuda; astrologia; culinária; saúde, sexualidade etc. A qualidade das imagens das revistas merece destaque especial como forma de leitura (comentaremos em detalhe em outro artigo).
Correspondência – Neste rótulo estou enquadrando escritos e textos que nos chegam pelo correio convencional (em papel) ou por meio eletrônico – das contas, propagandas e cartas comerciais, aos e-mails, cartas-correntes digitais, spans e outros. Os pais podem transformar a correspondência diária em oportunidade para explorar com seus filhos a leitura e a escrita. Seja separando o material em papel, ou abrindo e-mails na frente das crianças, falando do que vem e do que vai... do que serve e não serve, eles vão compartilhando idéias a respeito desses tantos escritos e formando uma mentalidade letrada.
Entre tantos textos que permeiam nosso dia-a-dia encontramos mais um fio condutor para a leitura, ao lado da ficção e da poesia. Conhecer esses textos é outra porta de entrada para despertar o leitor e ajudá-lo a encontrar seu lugar como usuário da escrita.