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Ter 16
Set
2008

Esse nosso País é único. Também, um lugar onde o hit do momento é a dança do quadrado e há bem pouco tempo a musa da nação era a mulher melancia, o que podemos esperar?

Com isso, a quantidade de assuntos bizarros é tão grande que tive uma grande dúvida sobre o que escrever.

Ainda em dúvida, escolhi o assunto abaixo. Tenho, no mínimo, mais uns cinco no mesmo arquivo que estou escrevendo agora, mas vai aí o primeiro.

Saúde, educação e segurança X paixão nacional

Já faz algumas semanas, vi nosso presidente recebendo no palácio do planalto ex-jogadores de futebol vencedores de copas.

Memórias, histórias, comemoração e muita festa. Como nosso presidente é um grande fã de futebol - como a grande maioria do nosso povo - a festa foi completa. Porém, em tom de “salvador da pátria” o presidente propôs que para os “heróis” do Brasil que estivessem em situação difícil ou passando alguma necessidade, o governo providenciasse uma aposentadoria.

Não é nenhuma surpresa, nem novidade: existem jogadores que ganham muito e gastam tudo que ganham em farras, bebidas, vida cheia de vícios e não se preocupam com o futuro.

Agora, alguém já se preocupou em saber quanto ganha um médico, um policial, um bombeiro, um professor ou outro profissional fundamental para o bom andamento de nossa sociedade? E alguém se preocupa com as condições de trabalho desses profissionais? A mídia só toca nesse assunto em momentos de crise, como o período crítico da dengue. E apenas para criticar os profissionais.

Nossa definição de héroi está bem distorcida.

Será apenas eu que acho que essas prioridades e esses projetos são absurdos e malucos?

O nosso povo é mesmo tão alienado que prefere um Fla x Flu, um Ceará X Fortaleza, um Grenal em detrimento da saúde, segurança e qualidade de vida do País???

Não vou me surpreender se ouvir algum dia a proposta de uma bolsa cachaça. E ainda vão dizer que tem até um apelo ecológico.

* Felipe Calvet escreverá textos de opinião neste espaço. Esta coluna é autoral e expressa a opinião do autor.

Sab 21
Jun
2008

Velocidade

Para quem gosta de carro, ocorreu em maio a terceira edição do quatro rodas experience. Um evento para todos os gostos com diversas atrações, entre as pricipais, a possibilidade de pilotar um carro no autódromo de Interlagos ou ser passageiro em uma lamborghini, ferrari, lotus ou corvette pilotada por pilotos profissionais.

São seis dias de eventos e muita adrenalina.

Para quem não gosta de se aventurar atrás do volante, pode dar um passeio pelos boxes do famoso circuito de interlagos, o palco da F1 no Brasil, onde as montadoras montam seus stands com os últimos lançamentos em veículos e acessórios automotivos, embora na minha opinião, o ápice do evento é escolher um bom carro e passar acelerando na reta dos boxes em seguida fazendo a curva do Sena etc. eu fui :)

O evento agrada a família inteira, um bom programa. Outras atrações do eventos são pista de rali, test-drives de motos, carros elétricos, veículos militares, pista off-road, quadriciclos, simuladores, praça de alimentação, espaço kids, etc.


* Felipe Calvet escreverá textos de opinião neste espaço. Esta coluna é autoral e expressa a opinião do autor.

Qua 21
Mai
2008

Mídia

Que a mídia é o quarto poder não se duvida nem se discute. A força que tem uma emissora de rádio, uma rede de televisão e jornais é enorme. Tanto que é bem comum políticos “namorarem” com os meios de comunicação. Rádios em pequenas cidades são quase que obrigatoriamente controladas (direta ou indiretamente) por políticos.

Pra não fugir à regra, no nosso País, que tem nos seus três poderes uma desordem caótica, desavergonhada e institucionalizada, a mídia como quarto poder presta o mesmo desserviço prestado pelo Estado (ou pela ausência dele).

É impressionante o caminho que a mídia vem tomando para garantir única e exclusivamente seus índices de audiência. Transformando a sociedade já carente (por culpa da ausência do Estado) de educação e sem noção do seu papel como cidadão em verdadeiros carrascos oligofrênicos dignos dos mais negros períodos da idade média, antenados com diversas barbáries, egocentricamente feliz quando está fora das estatísticas cruéis de crimes assassinatos e outras atrocidades. Sem esquecer também o novo séquito de especialistas em criminalística, aeronáutica, etc. todos indevidamente formados pela mídia.

Programas criminalistas tremendamente sensacionalistas com repórteres e apresentadores que não beiram, mas já ultrapassaram a barreira do ridículo, usam o espaço que possuem na mídia para se promoverem acintosamente usando como trampolim, quase sempre político, seus programas. Nas eleições para vereadores, por exemplo, quase que a maioria sai candidato e infelizmente uma boa parte se elege. Para conferir basta assistir a propaganda eleitoral obrigatória e se horrorizar com esses e outros tantos candidatos.

Pra piorar, não existe nada mais triste que ver adultos, e principalmente crianças, conviverem com os mais diversos crimes. Aí a falência do Estado em todas as esferas. E pior ainda é a banalização como assassinatos são noticiados por esses programas e como a população presente aos locais do crime recebe a imprensa. Não deixa nada a desejar de uma fogueira em praça pública para queimar hereges ou bruxas como ocorria na idade média, no mínimo um evento macabro.

Não satisfeito com o triste exemplo acima exposto, a mídia agora resolveu assumir o papel do judiciário, condenando e absolvendo de acordo com os números do Ibope. E a população cega e perigosamente ignorante formam verdadeiras turbas para seguirem as conclusões da mídia.

Nas últimas semanas, o caso da morte da pequena Isabela e o julgamento sobre a morte da missionária Dorothy Stang exemplificam bem isso. Não resta dúvidas que a morte das duas é um crime bárbaro que não deve ser aceito pela sociedade e que os culpados devem ser punidos, mas existem leis e normas que qualquer processo deve seguir.

Até a decisão de um desembargador sobre um habeas corpus - que tem seu nome vinculado exaustivamente como o “responsável” por os suspeitos estarem em liberdade ou não - sofre uma pressão enorme da mídia. Para essa decisão o desembargador deve seguir algumas diretrizes e deve, por força de sua função, tomar decisões difíceis, porém baseados em fatos e leis e não em sentimentos ou suposições.

A vida das pessoas está nas mãos das autoridades no momento de um julgamento e de um parecer, e essa decisão deve ser tomada com toda responsabilidade. No julgamento da mídia, sem base legal nenhuma, a vida profissional e pessoal de um cidadão pode ser destruída pela exposição pública e a imprensa nunca dá a mesma dimensão da acusação em uma eventual retratação.

Mais revoltante ainda é que, se estivéssemos em algum período como olimpíadas, carnaval, etc., as dimensões do caso na imprensa seriam outras. Ou alguém duvida que se estivéssemos em uma copa do mundo a comoção pública seria outra sobre os casos citados?

O papel da mídia é importantíssimo, tão importante quanto os outros poderes, porém a responsabilidade também têm igual peso.

* Felipe Calvet escreverá textos de opinião neste espaço. Esta coluna é autoral e expressa a opinião do autor.

Qua 05
Mar
2008


As discussões políticas no nosso país têm uma enorme similaridade com as das crianças, onde irmãos que acabaram de brigar e são surpreendidos pela mãe soltam aquela famosa frase: “foi ele quem começou!” A grande diferença, infelizmente, é que no caso das crianças, as duas ficam de castigo.
 
Nos abusos, para não chamar logo de roubo, dos cartões corporativos, o governo deve uma explicação para sociedade e qual é a primeira resposta que é dada de imediato?

Mas não fui eu que comecei, foi no governo passado....
 
No mensalão aconteceu o mesmo, provas não faltaram do envolvimento de pessoas ligadas ao governo, inclusive com cargos de grande importância na estrutura do Estado, e
qual a frase mais proferida pelos acusados? 


                       "Isso já vem desde outros governos estaduais da oposição..."

Já que nossos governantes agem como crianças, devíamos logo eleger crianças para cargos políticos, a ineficiência continuaria a mesma, porém a sinceridade ia dar um salto qualitativo enorme.

* Felipe Calvet escreverá textos de opinião neste espaço. Esta coluna é autoral e expressa a opinião do autor.