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Thulio Colares

Finlândia entrou na vida de Thúlio Colares de forma despretensiosa. Jovem culto, inteligente e estudante de direito; mas acima de tudo demonstrando sua sede de viver e conhecer novas culturas.
Nós da Autêntica Vida tivemos a curiosidade de aprender um pouco com ele. Afinal, não é todo dia que alguém sai de Fortaleza com a curiosidade de conhecer e passar 20 dias na Finlândia.

Thúlio diz ter interessado-se pela Finlândia de forma quase que sem querer: ouvindo a música "Nightwish". Fez amizades com alguns Finlandeses que freqüentavam um Resort de Fortaleza. A paixão foi tamanha, que em pouco tempo estava estudando a língua, cultura e, sem hesitar, comprando passagens para curtir férias por lá.

De uma forma genérica, Thúlio ressalta o quanto Finlândia e Brasil são diferentes. Principalmente no setor econômico e político. Diferem entre si, também no que diz respeito a recursos naturais e clima.
Se eu pudesse criar uma região, e controlá-la com inúmeras leis, e que todos os habitantes as respeitassem, certamente, eu estaria criando a Finlândia. Isso pra mim, como brasileiro, é algo "chocante" e ao mesmo tempo apaixonante, visto que seria este um lugar perfeito pra mim. Um lugar onde as pessoas respeitassem umas as outras e o Estado dessem condições de uma vida boa a todos”.


Encantado! é a palavra que melhor descreve a forma com que Thúlio narra as cidades, suas organizações e beleza. Cidades modernas com lagos de grandes extensões e valorização do patrimônio histórico.

“Parece que a Finlândia foi feita a mão. Uma maquete em tamanho real”.

Fiquei curiosa para saber qual a diferença que ele observou entre os Finlandeses e os Brasileiros:
 “O humor, e o respeito pelo próximo. Não que os finlandeses sejam mal humorados, longe disso, são muito amigáveis. Mas demoram um certo tempo para se aproximar. Não costumam ser calorosos à primeira vista. Os finlandeses não expõem suas emoções, e isso foi o que me incomodou. Eu gosto muito de dizer e agir com sentimentos, eles são 100% razão, isso pra mim era inacreditável.Quanto ao respeito ao próximo, eu vou citar um exemplo verídico. Os finlandêses quando vão ao trabalho, os que chegam mais cedo, estacionam os carros longe da porta de acesso aos seus trabalhos, para que as vagas mais próximas fiquem para aqueles que por ventura se atrasem, com o intuito de ajudar”.

As nossas diferenças, relatadas por Thúlio, são inúmeras; até mesmo no que diz respeito a língua nativa, estudo e formação;
“A língua é o finlandês. Uma língua que não parece com nada, e segundo os estudiosos de línguas, é uma das mais difíceis do mundo! Quanto a educação dos jovens, todos eles têm formação na escola normal. Até porque é "gratuita", como tudo lá. Eles tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, mas se vê retorno. No que diz respeito a educação superior, nem todos tem formação, nem por isso deixam de ter bons empregos, diferente do como ocorre aqui no Brasil. Tanto que muitos jovens finladeses optam por trabalhar logo que saem da escola normal, sem chegar a freqüentar uma universidade”.

Thúlio ressalta ainda;  “O nível econômico deles é elevado, muito elevado, eles chegam a falar em classes sociais mas eu não pude ver diferença, pra mim todos eram ricos. Com exceção dos jovens universitários, que geralmente moram em apartamentos minúsculos nos arredores do centro de Helsinque. Que nem poderiam ser ricos, visto que não trabalham, recebem subsídios do governo pelo simples fato de serem universitários, e se trabalharem é só para obter renda extra”.

Percebi o quanto Thúlio havia trazido consigo uma bagagem ampla. A busca por novos conhecimentos e experiência que pudesse ser colocada em prática na sua realidade de brasileiro. Quis, então, saber suas maiores percepções sobre:


Maior beleza?

" Claro que o sol da meia noite. Se eu fosse perguntado pela lembrança mais feliz da minha vida, seria ver o pôr-do-sol da meia noite em uma clareira na floresta. Você se sente minúsculo, o céu tomando um tom de púrpura, depois laranja; completamente laranja, e enfim escurece. Três horas depois ele nasce. É uma sensação de estar próximo de Deus. Pois Deus abençoou aquela terra com um verdadeiro espetáculo natural".
 
Maior aprendizado?
"O maior aprendizado foi sem sombra de dúvidas o fato de aceitar novas idéias, aceitar o diferente, sem choques. Na Finlândia eles convivem com muitas diferenças. As pessoas são muito livres, se vestem da forma que querem, agem da forma que querem, obviamente sempre respeitando as leis, e as pessoas não se chocam com isso. Eu aprendi mais do que nunca, a não julgar ninguém pela aparência. Na Finlândia isso é um pressuposto de vida. Eu cheguei a ver pessoas com cargos públicos com estilo bem "underground".
 
Maior curiosidade?
"A maior curiosidade pra mim, foi a mistura entre o luxo e o simples. Os finlandeses em geral, sejam homens ou mulheres, adoram decoração. Eu cheguei a visitar lojas do tamanho de shopping center na Finlândia, única e exclusivamente para decoração. Eles têm uma preocupação exacerbada com o ambiente em que ficam a maior parte do tempo. Em contra partida levam uma vida muito simples, de sentarem juntos e jogarem palavras cruzadas, ou cartas. Nada eletrônico ou moderno. Os finladêses conservam hábitos simplesmente invejáveis para manterem a família sempre junta".

Não resisti, e tive que perguntar se ele havia voltado a mesma pessoa de quando foi para Finlândia. Ele respondeu:

  " Não. De maneira nenhuma! Aprendi a dar ainda mais valor ao ser humano. Aprendi a não julgar a atitude das pessoas, e a valorizar aquilo que é natural. Aqui no Brasil temos uma tendência a admirar coisas artificiais. Na Finlândia eles amam a natureza e aquilo que é simples e belo. Fora o que eu amadureci, estando "sozinho" do outro lado do mundo, em um lugar que eu jamais estive antes. Encarei tudo com uma maturidade que eu mesmo desconhecia que eu tinha. Literalmente abri os braços e deixei que a Finlândia me tragasse".


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